Workshop e Mesa Redonda aconteceram na manhã de sexta-feira, 21/09/2012

O Secovi-SP (Sindicato da Habitação) e a Alconpat-Brasil (Associação Brasileira de Patologia das Construções) realizaram na sexta-feira, 21/9, o workshop e mesa-redonda “Inspeções Prediais e Estratégias de Manutenção para a Gestão da Conservação de Edificações”. O deputado federal William Dib, autor de projeto de lei sobre o tema, participou da abertura do evento e confirmou o recebimento de uma proposta de substitutivo ao PL elaborado pelo Secovi-SP.

Organizado pela vice-presidência de Tecnologia e Qualidade do Sindicato, sob a coordenação técnica da engenheira Maria Angélica Covelo Silva, da consultoria NGI, o evento reuniu um time de especialistas que trataram desde questões relacionadas às estruturas das edificações até a conservação dos edifícios, passando pela realização de inspeções, legislação e impacto da preservação nos programas habitacionais.

Segundo Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Secovi-SP, a conservação predial é importante por diversos fatores. “Economia, segurança e conforto são os benefícios que os programas de manutenção e conservação proporcionam. Quando bem aplicados, aumentam a vida útil predial”, disse. “A inspeção predial é integrante de um programa de manutenção. Faz parte do contexto da inspeção formal. Cerca de 90% dos sinais que as estruturas dão são perceptíveis a olho nu e podem ser gatilhos para laudos”, completou Borges.

A Alconpat-Brasil, que trabalha na prevenção, uso e manutenção das estruturas, anunciou o lançamento de um programa de conservação de estruturas durante o evento. “Temos que estar à frente desse processo para termos edificações duráveis e confortáveis”, disse Bernardo Tutikian, presidente da entidade.

Em sua palestra sobre Conservação de edifício, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, listou os seguintes fatores como determinantes para as falhas na conservação: problemas no projeto; construção e uso inadequados; ações inesperadas; e ausência de cultura de conservação. Ele ressaltou que o problema pode ser enfrentado por meio de processos de controle e gestão, mudanças de atitude – com foco no amanhã –, além de investimentos na capacitação de arquitetos e engenheiros e implantação de políticas efetivas de conservação. “Ainda não sabemos lidar com isso. Gasta-se mais com reformas e manutenção do que com novas construções”, informou.

Sobre a questão legislativa, Silva disse que muitas cidades e estados já possuem leis de inspeção de edificação ou suas partes, mas o problema é que há poucas na esfera nacional, e as que existem são para inspeções mandatórias específicas, como elevadores, proteção contra incêndio e caixa d’água. “A legislação no Brasil e no mundo nem sempre é bem resolvida tecnicamente. Reflete questões emocionais da sociedade por traumas sofridos, como queda de marquises e desabamentos, resultando em mortos e feridos”, criticou.

Em sua palestra sobre mecanismos que comprometem o desempenho estrutural ao longo da vida útil, Francisco Graziano, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mostrou uma “fórmula” que qualifica a influência de cada fase da obra, medindo a probabilidade de ocorrer ruptura, que inclui as variáveis: qualidade da documentação, da fiscalização, da concepção e de materiais. Ele observou que, sempre que se investe em segurança e qualidade, gasta-se mais. No entanto, a opção por não investir poderá acarretar custo institucional e de manutenção pelo insucesso. “É mais econômico investir mais na obra”, concluiu.

A IMPORTÂNCIA DOS MANUAIS

Além de falar sobre a norma NBR 5674/2012, que trata das Manutenções de Edificações, que passou a vigorar a partir do dia 25/8/12, Marcos Velletri, diretor de insumos da vice-presidência de Tecnologia e Qualidade do Secovi-SP, falou sobre os manuais de Áreas Comuns e do Proprietário, que estão sendo revisados, em conjunto, pelo Secovi-SP e pelo SindusCon-SP. Esses documentos servem de base para incorporadoras e construtoras elaborarem seus próprios manuais, que devem ser entregues aos proprietários e à direção do condomínio juntamente com as chaves.

Para Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, os manuais merecem um “carinho” especial. “Esses documentos devem ser elaborados com qualidade, envolvendo os fornecedores. Tem que ser completo e de simples leitura e compreensão”, orientou.

O TEMA NA ESFERA PÚBLICA

De acordo com Milton Anauate, gerente executivo de gestão, padronização e Normas Técnicas da Caixa Econômica Federal, o tema tratado no workshop é de suma importância para a instituição. “A Caixa tem um papel educacional, de discutir com os atores envolvidos, absorver conhecimento e ver como ajudar na manutenção e conservação para fins de financiamento.” Ele defendeu a capacitação profissional para fazer inspeção. “Não temos inteligência para analisar laudos. Isso tem que ser incluído na grade da universidade”, disse.

Maria Salette de Carvalho Weber, coordenadora do PBQP-H do Ministério das Cidades, reiterou a observação de Anauate. “Qual é a nossa estrutura para levar isso adiante? Qual é a nossa capacidade instalada, além da mão de obra treinada? Que engenheiros vamos indicar para fazer isso?”, questionou.

Ela também defendeu a existência de leis para reger o assunto. “Já está mais do que na hora de trazer para a legislação brasileira medidas relativas à manutenção e prevenção predial, de forma efetiva, nas políticas públicas habitacionais”, disse Weber.

DESAFIOS

Na parte final do evento, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho listou alguns desafios que o setor precisa enfrentar, entre eles o investimento em conhecimento técnico; fiscalização, que exige criação de estrutura para analisar laudos; definição de escopo do que deve ser de fato inspecionado; e definição da periodicidade da inspeção.

Mário Sérgio Pini, diretor da Pini Serviços de Engenharia, informou que a periodicidade das inspeções ocasionam economia de até 30% nas manutenções pela detecção precoce dos problemas.

Para Flávia Pujadas, diretora do IBAPE-SP, o que falta é uma parametrização do que essas inspeções devem contemplar, concordando com Silva. Segundo ela, a inspeção deve ser uma ferramenta da gestão dos ativos para que o edifício cumpra o desempenho esperado ao longo da sua vida útil.

O evento ainda contou com a participação de Fábio Pannoni, consultor técnico da Gerdau e professor da FDTE/EPUSP, que falou sobre degradação das estruturas de aço; Jorge Batlouni Neto, do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP; e Alexandre Luis de Oliveira, coordenador da Comissão de Trabalho Pós-Obra do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP.

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